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O seminário O Futuro do Combate ao Câncer, realizado pela Folha, começou na manhã desta terça (29), com uma palestra de Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira. O evento tem patrocínio dos laboratórios MSD e Bristol-Myers Squibb.

Hoff ressaltou a importância desse tipo de evento no atual momento, em que a doença atinge 15 milhões de pessoas em todo o mundo, levando pelo menos 8 milhões à morte.

"O câncer é a segunda causa de morte em nosso país. E, nesta década, se tornará a primeira causa em vários países da Europa e algumas regiões dos EUA."

Segundo ele, o câncer é um conjunto de doenças, por isso não há um tratamento único. Com os tratamentos disponíveis hoje, 60% dos pacientes sobrevivem à doença.

Após fazer um breve relato histórico sobre a pesquisa e o combate ao câncer –citando a "invenção" da quimioterapia na época da Segunda Guerra, após observações dos efeitos do gás mostarda, o médico tratou da realidade brasileira no combate ao câncer.

Na área de ensino, questionou a qualidade das novas escolas de medicina que, em uma década passaram de cem para 240 instituições.

Hoff afirmou que, embora seja evidente a necessidade de aumentar o número de médicos no país, não haverá avanços sem a melhora da qualidade.

Isso, segundo ele, permitirá cada vez mais o diagnóstico precoce, aumentando chances de cura.

Na área de pesquisa, frisou o fato de termos sérios problemas no país. Os entraves como a burocracia e a desatualização dos órgãos que regulamentam e controlam a pesquisa clínica no Brasil criam, de acordo com Hoff, contradições como a da recente polêmica sobre o uso das pílulas de fosfoetanolamina.

Sem entrar no mérito da eficácia ou não da substância, ele questionou o fato de a substância estar sendo usada há 20 anos e nunca ter sido submetida a pesquisa clínica.

"Temos que fazer pesquisa com critérios éticos, mas também temos que ser rápidos."

Em relação à assistência que temos no Brasil, elogiou o conceito do SUS, de acesso universal à saúde, mas afirmou que é preciso uma estrutura melhor para permitir o diagnóstico precoce, facilitar o acesso aos tratamentos e melhorar a prevenção primária (educação da população) e secundária (exames como mamografia e papanicolau).

Antes de finalizar a palestra, Hoff falou sobre a introdução de novos tratamentos para o câncer.

Ele disse que é preciso discutir a questão dos custos –lembrando que há novos medicamentos que, se fossem comprados, custariam metade de todo o orçamento do Ministério da Saúde. "É preciso identificar quais tratamentos fazem a diferença e quais pacientes seriam mais beneficiados por eles".

Encerrando a palestra de aberta do seminário O Futuro do Combate ao Câncer, Hoff afirmou ser otimista: "Vejo que o Brasil está melhor do que há 15 anos e temos ferramentas para melhorar mais".

Fonte: Seminários Folha